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Psicologo comenta sobre estupro e testemunha conta com detalhes o que presenciou

Quinta 31/03/2016 - Aislan Henrique
Psicologo comenta sobre estupro e testemunha conta com detalhes o que presenciou
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Um caso de estupro chocou Patos de Minas nesta última terça-feira (29/03), após uma jovem de apenas 18 anos ter sido vítima no bairro Bela Vista.

A moça saiu de seu serviço  e  foi até o ponto de ônibus  para voltar para casa quando se preparava para sentar no banco e foi abordada por um homem alto, negro, voz grossa e cabelos arrepiados, trajando camiseta clara, mangas curtas, com listras horizontais e de posse de uma faca teria perguntado para jovem se ela esperava alguém.
Ela disse que aguardava o ônibus e nesse momento o autor já tampou sua boca e arrastou-lhe para uma vegetação existente no local.  O autor retirou a roupa da jovem e praticou o estupro.

Uma testemunha que não quis se identificar ouviu o barulho estranho quando retornava da igreja e foi em direção ao matagal momento em que a jovem gritou por socorro.

O autor fugiu sentido a Avenida das Paineiras e não foi mais visto. Ele juntamente com outras testemunhas acionaram a policia militar que chegou ao local e encaminhou a jovem para o Hospital Regional, onde ficou constatado o estupro. Ela ainda contou que não estava sendo seguida e disse que nunca tinha visto o autor antes.

Nos fomos no local e encontramos a testemunha que contou alguns detalhes.

Nossa equipe conversou com o Psicólogo Esequias Caetano  sobre o assunto:

 

Essas vítimas ficam traumatizadas ou o tratamento correto consegue tranquilizar essas vítimas?

Sim, é bastante provável que a vítima de estupro desenvolva traumas relacionados à violência sofrida. Estes traumas, quando mais graves, se enquadram no que chamamos de Transtorno de Estresse Pós-Traumático e apresenta as seguintes características:


- Reexperimentação do trauma com lembranças e sonhos indesejados e que geram muita angústia e ansiedade
- Evitação psicológica: adoção de estratégias de distração para evitar os sentimentos e os pensamentos relacionados ao trauma, evitação do local onde o trauma ocorreu ou de locais parecidos, evitação de pessoas que se assemelhem de alguma forma ao estuprador, redução de interesse em atividades habituais do dia a dia, sentimento de solidão, sentimento de impotência, medo intenso. Em casos mais sérios, pode ocorrer evitação de qualquer contato social – a pessoa deixa de sair de casa, deixa o trabalho, os estudos...


- Estado de excitação aumentada: transtornos do sono (sono excessivo ou falta de sono), irritabilidade, dificuldade de se concentrar, hipervigilância, resposta exagerada a pequenos sustos, tremores, taquicardia e outras alterações fisiológicas.

Existem dados de estudos que apontam que a gravidade do impacto emocional de um abuso sexual pode ser comparada ao de uma guerra, o que indica a seriedade da situação. Porém, com o tratamento adequado, o trauma pode ser superado e a pessoa pode voltar a ser capaz de viver normalmente a vida, deixando para trás o sofrimento e as restrições impostas pelo abuso sexual.

É importante salientar que nem todas as vítimas de abuso sexual desenvolverão um trauma. É possível que algumas consigam superar naturalmente a experiência, ainda que isso seja bastante difícil. Alguns fatores que contribuem para que a vítima seja capaz de superar, são:

- Não ser julgada por amigos, familiares e pessoas importantes;
- Receber apoio e compreensão de amigos, familiares e pessoas importantes;
- Possuir uma vida social saudável desde antes do trauma;
- Ser afetivamente próxima da família e de amigos;
- Manter uma rotina de atividade física regular;
- Possuir boas oportunidades de falar sobre o que sente e pensa;
- Possuir habilidades que facilitem a expressão dos sentimentos

Que tipo de acompanhamento que tem que ser feito para vítimas de estupro?

O ideal é que a vítima faça, inicialmente, uma avaliação médica para que sejam avaliados os impactos sobre a saúde física. Se houverem impactos duradouros, como gravidez, contração de uma doença sexualmente transmissível ou lesões, os riscos de desenvolver um trauma mais grave se tornam ainda maiores. Após esta avaliação, é necessário buscar por apoio psiquiátrico e psicológico. Tanto o psiquiatra quanto o Psicólogo farão uma avaliação dos impactos emocionais, cognitivos e comportamentais provocados pelo abuso, e à partir desta avaliação, darão andamento ao tratamento adequado à pessoa. O tratamento psiquiátrico será feito com medicamentos, cujo objetivo será, primordialmente, reduzir a excitabilidade emocional e fisiológica associadas ao trauma. Já o acompanhamento psicológico terá como objetivos primordiais ajudar a pessoa a reduzir o sofrimento diante dos pensamentos, memórias, situações, pessoas e outros aspectos do mundo associados ao trauma e a retomar a vida, deixando para trás a experiência traumática e, consequentemente, voltando a ter uma vida de qualidade.

Esequias Caetano -  Psicólogo: CRP 04/35023

Especialista em Psicologia Clínica – Terapia Analítico Comportamental
Formação em Terapia de Aceitação e Compromisso e Terapia Analítico Funcional

 

Centro  Politécnico

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